10 jogos esquecidos que definitivamente merecem uma sequência


O mercado de jogos atual é dividido entre novas propriedades intelectuais que buscam se estabelecer e remasters e remakes que tentam se apoiar no valor nostálgico dos fãs mais antigos. Nada contra isso, afinal de contas temos Final Fantasy VII Remake provando que certos jogos merecem mesmo esse tipo de tratamento.

O problema é que, para isso acontecer, muitas outras franquias acabaram ficando pelo caminho. Recentemente, tivemos a SEGA promovendo o retorno de uma das séries mais icônicas dos anos 1990 com Streets of Rage 4, mas isso tende a ser exceção, não regra.

Apesar disso, sentimos que esses títulos não tiveram exatamente todo seu potencial explorado: seja por questões corporativas ou puro abandono de suas publishers, o Canaltech listou abaixo 10 jogos esquecidos que definitivamente merecem uma sequência.


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Streets of Rage 4 chegou em 2020, depois de 26 anos do terceiro e, até então, último jogo da franquia beat’em-up da SEGA (Imagem: Divulgação/SEGA)

10. True Crime

True Crime teve dois jogos — Streets of L.A. e New York — ambos surfando na popularidade de Grand Theft Auto. Os jogos não foram o que se convém chamar de “sucessos comerciais”, mas angariaram fãs tempos depois de seus respectivos lançamentos, tornando-se uma espécie de “obra póstuma” com seus criadores ainda em vida.

Nessa franquia da Activision, porém, toda a narrativa tinha a ambição de ser mais realista, recriando partes de Los Angeles e Nova York em um mundo bastante aberto, expansivo e imersivo, com um enredo contado pelo ponto de vista da polícia. As histórias eram interessantes e a ambientação e gráficos estavam bem firmes para as limitações técnicas do PlayStation 2, mas a falta do sucesso comercial fez com que ele fosse abandonado por completo.

Curiosidade: houve a possibilidade de um terceiro jogo, ambientado em Hong Kong, ser lançado em 2009, mas em meados de 2011 o projeto foi abandonado. A Square Enix interveio, pegou os direitos de produção, renomeou e o desenvolveu. Seu nome: Sleeping Dogs, um dos títulos mais divertidos da era PlayStation 3.

9. Godfather

Os mais novos não devem nem se lembrar, mas O Poderoso Chefão teve dois jogos na era do PlayStation 2 com recepção relativamente positiva na crítica e público. Eram produções de mundo aberto que contavam a história de personagens não-canônicos (Aldo Trapani no primeiro, Dominic no segundo) e uma progressão narrativa no mínimo criativa: ambos recontavam eventos que, nos filmes, são apenas subentendidos. Exemplo: quando Michael mata Sollozzo e McCluskey com uma arma plantada no banheiro de um bar, o jogo mostra Aldo colocando-a no tanque da privada. Aldo também leva Vito Corleone, vítima de atentado a tiros, ao hospital em uma sequência de perseguição automobilística que nunca é exibida no filme.

Outro detalhe interessante é que vários dos atores que participaram do filme emprestaram suas vozes para suas versões do jogo. Até o próprio Marlon Brando gravou falas para Don Vito Corleone, mas seu estado crítico de saúde acabou tornando a maior parte inaudível. Infelizmente, devido ao mau desempenho do segundo jogo, a EA acabou cancelando planos de um terceiro Godfather, mas a gente ainda acha que a trilogia tem de ser fechada.

8. Brutal Legend

Brutal Legend conta a história de Eddie Riggs (Black), o “melhor roadie do mundo” a serviço da “pior banda de metal do mundo”. Complicações do enredo fazem com que ele seja transportado para uma dimensão onde a raça humana foi dominada por demônios e uma resistência luta pela libertação. Obviamente, a trilha sonora segue o mais puro rock, incluindo até mesmo canções do Tenacious D, a dupla de rock que Jack Black mantém junto do amigo Kyle Gass. Como. Isso. Poderia. Dar. Errado?

A briga toda é centralizada na má comunicação: originalmente uma proposta abandonada pela Activision, Brutal Legend acabou sendo “herdado” pela Electronic Arts. O sucesso do jogo foi moderado, mas suficiente para vermos a promessa de uma sequência. A EA, porém, retraiu-se do compromisso e quase quebrou o Double Fine, um estúdio totalmente independente na época. Tim Schafer nutre, desde 2015, um desejo por uma sequência, assegurando que o projeto que acabou cancelado teria o triplo de tamanho do primeiro jogo, contaria com Ronnie James Dio entre os artistas convidados e usaria conteúdo descartado do seu predecessor. Tomara que essa sequência venha para algum Xbox no futuro.

7. Vanquish

Neste jogo, você assume o papel de Sam Gideon, o usuário de um artefato conhecido como “Augmented Reaction Suit” (“Traje de Reação Aumentada”, na tradução literal) dentro de uma história negligenciável como em qualquer Call of Duty.

A graça de Vanquish residia exclusivamente em dois pilares: o visual de ficção científica com ambientes lineares e a jogabilidade, que aplicava cinemáticas interativas e frenéticas de alta velocidade, cortesia de minifoguetes acoplados no traje do personagem principal e que permitia uma progressão de jogo em todas as direções, deslizando ao mesmo tempo em que se atira e mudando disso para um salto impulsionado pela roupa.

É melhor você ver o vídeo abaixo para entender o porquê de ele ser tão divertido. Tomara que a Platinum Games consiga trazer essa marca de volta com uma sequência, porque o público para isso já está disponível.

6. Metal Gear Rising: Revengeance

Tinha tudo para dar errado, mas acabou dando muito certo: ao contrário de sua série antológica, Revengeance atira pela janela conceitos de ação em furtividade e abraça sem medo a ação em terceira pessoa, apostando em Raiden e sua espada de alta frequência para cortar, em slow motion, seus oponentes em vários pedaços.

O enredo também não devia em nada ao cânone de Metal Gear: Raiden agora se encontra a serviço de uma empresa militar privada (PMC) intitulada Maverick Security. Depois do mundo ver o uso das nanomáquinas entrar em colapso nos eventos de Guns of the Patriots, as empresas do setor apostaram na tecnologia cibernética, criando uma nova geração de soldados hiper resistentes. Na primeira missão, um ataque da PMC rebelde Desperado quase mata Raiden, que acabou derrotado em um sensacional duelo de espadas com o novo rival Jetstream Sam. Depois de se recuperar e ganhar um novo corpo, Raiden parte para vários lugares do mundo em busca de formas de parar o plano de dominação protagonizado pela Desperado e um misterioso bem-feitor.

Metal Gear Rising: Revengeance seria desenvolvido pela Kojima Productions, mas acabou caindo nas mãos da Platinum Games após o estúdio liderado por Hideo Kojima não conseguir encontrar uma forma satisfatória de casar a jogabilidade de Metal Gear com comandos envolvendo uma espada ao invés de armas de fogo. Canonicamente, é o último ponto do macroenredo de Metal Gear, mas que ainda traz espaço para ser mais explorado.

5. Bully

Um dos jogos mais controversos já desenvolvidos pela Rockstar, Bully segue a mesma premissa de Grand Theft Auto (pessoas más fazendo coisas más), mas tudo aqui é tudo ambientado no Colégio de Bullworth, uma instituição do Ensino Médio para onde o protagonista, Jimmy Hopkins, é enviado.

O jogo busca retratar, ainda que de uma forma relativamente exagerada, a vida de um pária em período escolar. Hopkins, o típico “garoto-problema”, é o novo aluno da escola e deve ascender frente a todas as “turmas”, desde os jogadores de futebol, até os entusiastas por bikes e os nerds, participando (ou cabulando) das aulas e tomando parte em toda a sorte de piadas, pegadinhas e encrencas. Embora o texto faça de Bully algo mais jovial, o jogo chegou até a ser proibido no Brasil.

Um artista sonoro que participou do desenvolvimento de Bully chegou a dizer que uma sequência estava a caminho, mas nunca mais ouvimos falar sobre isso de ninguém. O único lamento é o dos desejos de fãs que queriam muito ver como seria a vida de Jimmy Hopkins na faculdade.

4. Bushido Blade

Bushido Blade é um clássico cult da era do PlayStation, trazendo ambientes transitáveis e combate de armas mais realista, no sentido de que um corte de espada poderia resultar desde exibições fundas de pele aberta até membros decepados.

O interessante do jogo é justamente essa aplicação de realismo, já que as lutas em si não apresentavam HUDs indicativos para nada: não havia barra de energia, ou tempo de round, ou golpes especiais cheios de raios e trovões. Era puramente uma luta com armas: vencia o mais hábil.

A ideia de uma sequência nestes mesmos moldes seria muito bem-vinda na atual e próxima geração de consoles, ampliando o realismo no âmbito visual, mas sem perder a pegada original de que um único golpe pode acabar com uma luta. Os jogos de luta atuais são belíssimos, mas não tentaram aproveitar essa receita. É a razão mais forte para alguém ressuscitar essa IP.

3. Tenchu

Ainda ficando no ambiente das espadas e combates, temos Tenchu. O jogo de ação de terceira pessoa com forte elemento de furtividade é até hoje tido como um dos mais fiéis no que diz respeito à mitologia por trás do ninjutsu: a de que seus adeptos eram mestres do combate soturno, apelando para disfarces, armas silenciosas e combate rápido, perfeitos para infiltrações ao invés de linhas de frente de uma guerra.

A franquia conta com várias edições, sendo a última lançada em 2008 — Tenchu: Shadow Assassins, para Wii e um ano depois para PSP —, mas nenhuma conseguiu chegar ao nível de adoração obtido por Tenchu: Birth of the Stealth Assassins, o segundo da saga e de longe o melhor de todos.

É uma sequência nestes moldes que os fãs merecem e desejam, mas infelizmente o corporativismo entre em cena de novo. Originalmente produzido pela falecida Acquire, os direitos da marca Tenchu foram vendidos à Activision, que por sua vez os revendeu à From Software, num acordo que não permitia que a atual dona usasse os nomes dos jogos já lançados. Em suma, a empresa teria que recomeçar a franquia do zero, ou abandoná-la. Até o momento, parece que ela escolheu a segunda opção.

2. Vagrant Story

Vagrant Story fez história ao estabelecer uma abordagem diferenciada ao gênero de “RPG de ação”, abandonando o esquema por turnos e priorizando diversos elementos mais realistas.

O mais evidente deles é o Circle Ring, que estipula um raio de ação correspondente à distância que seu personagem, o agente Ashley Riot, poderia cobrir com seus golpes: armas diferentes, diferentes distâncias. Além disso, o mesmo círculo permitia que você escolhesse a parte do corpo a atacar, com alguns golpes sendo mais eficazes no braço do que na cabeça, por exemplo, e os efeitos disso imediatamente aplicados. Quebre um braço com uma marreta e o inimigo não poderá atacá-lo com aquele membro.

Adicione a isso um sistema aprofundado de customização e criação de armas e magias incrivelmente variadas, mais uma narrativa típica dos anos dourados da Square Enix, e temos aqui um clássico que, em seu final, deixa um belo gancho para que a história seja novamente retomada. Basta querer, Square.

1. The Legend of Dragoon

Se tem um jogo que merece demais uma sequência é esse RPG produzido pela Sony para o primeiro PlayStation. Ele conseguiu a proeza de ser lançado na mesma época que Final Fantasy IX e ainda assim obter amplo destaque pelo seu gameplay inovador: no papel de Dart, um espadachim mercenário, você enfrenta inimigos em batalhas por turnos, onde suas ações podem render combos, desde que você seja rápido no controle.

Mas não era apenas isso: o gameplay em si se abria em novas opções e recursos à medida que você evoluía seus personagens, podendo até transformá-los em Dragoons, versões superpoderosas de si mesmos, com sua própria linha de magias e combos. Mais além, uma criativa história envolvendo duas facções antigas (os Dragoons e os Winglies), o ressurgimento de ambas no período ambientado no jogo e uma série de reviravoltas políticas e emocionais marcaram uma geração inteira que sabia que existia mais no universo do RPG do que “apenas Final Fantasy”.

Agora imagine uma sequência desse jogo, com esse mesmo apreço por gameplay e narrativa, mas com o poder visual dos consoles atuais ou, se você quiser sonhar, os da nova geração?

Menção honrosa: Half-Life 3

Até parece que você não esperava por isso. Um dos maiores memes gamers da internet, uma história não finalizada com um segundo jogo que fechou em um gancho tão óbvio que é óbvio que a Valve teria que nos entregar uma produção para fechar essa história.

Infelizmente, apesar de todos os memes, clamores dos fãs e campanhas em favor e contra a Valve, ela ainda não cedeu a ponto de produzir um terceiro jogo. Recentemente, tivemos Half-Life: Alyx, um jogo que se situa entre os eventos do primeiro e segundo títulos da franquia e desenhado para a experiência em realidade virtual (VR), mas sejamos francos: isso não saciou a vontade de ninguém por Half-Life 3?

Agora é com você

Evidentemente, faltaram muitos jogos nesta lista. Então, queremos saber de você: quais jogos merecem uma sequência completa na atual ou na próxima geração e por quê? Atenção: não vale remake ou remaster, hein? O que você gostou no passado que quer retomar no presente? Conte para nós nos comentários abaixo!

Leia a matéria no Canaltech.


Fonte Rafael Arbulu
Data da Publicação Original: 30 April 2020 | 10:35 am


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